"Que a mente seja formada com palavras, com mais prazer do que o corpo é moldado com as mãos"

Alberto Caeiro por Ricardo reis.




Nestes poemas aparentemente tão símplices, o critico, se dispõe a uma analise cuidada, hora a hora se encontra defronte de elementos cada vez mais inesperados, cada vez mais complexos. Tomando por axiomático aquilo que desde logo, o impressiona, a naturalidade e espontaneidade dos poemas de Caeiro, pasma de verificar que eles são, ao mesmo tempo, rigorosamente unificados por um pensamento filosófico que não só os coordena e concatena, mas que ainda mais, prevê objeções, antevê criticas explica defeitos por uma integração deles na substância espiritual da obra. Assim, dando-se Caeiro por um poeta objetivo, como é, nós encontramo-lo, em quatro das suas canções, exprimindo impressões inteiramente subjetivas. Mas não temos a satisfação cruel de poder supor-nos a indicar-lhe que errou. No poema que imediatamente precede essas canções, ele explica que elas foram escritas durante uma doença, e que, portanto, tem por força que ser diferente dos seus poemas normais, por isso que a doença não é a saúde. E assim o crítico não chegue a conduzir aos lábios a taça da sua satisfação cruel. Se quiser ter a alegria, um pouco menos concreta, de apontar outros pecados contra a teoria intima da obra toda, vê-se confrontado por poemas como ...º e ...º, onde a sua objeção já está feita, e a sua questão respondida.

Só quem pacientemente, e com o espírito pronto, ler está obra pode avaliar o que está previsão, esta coerência intelectual (mais ainda do que sentimental, ou emotiva) tem de desconcertante.

Tudo isso, porém, é verdadeiramente o espírito pagão. Aquela ordem e disciplina que o paganismo tinha, e o cristianismo nos fez perder, aquela inteligência racionada das coisas, que era seu apanágio e não é nosso, está ali. Porque, se fala na forma aqui está na essência. E não é forma exterior do paganismo _ repito _ que Caeiro veio reconstituir; é a essência que chamou do Averno, como Orfeu a Eurídice, pela magia harmônica (melódica) da sua emoção.

Quais são, para meu critério, os defeitos desta obra? Dois só, e eles pouco empanam o seu fulgor irmão dos deuses.

Falta, nos poemas de Caeiro, aquilo que devia completá-los: a disciplina exterior, pela qual a força tomasse a coerência e a ordem que reina no íntimo da Obra. Ele escolheu, como se vê, um verso que, embora fortemente pessoal _ como não podia deixar de ser _ , e ainda o verso livre dos modernos. Não subordinou a expressão a uma disciplina comparável aquela a que subordinou quase sempre a emoção e sempre, a idéia. Perdoa-se a falta, porque aos inovadores muito se perdoa; mas não se omitir que seja uma falta, e não uma distinção.

Semelhante, a emoção enferma ainda um pouco do meio cristão em que surgiu para este mundo a alma do poeta. A idéia, sempre essencialmente pagã, usa por vezes um traje emotivo que não lhe é adequado. Em “O Guardador de Rebanhos” há um aperfeiçoamento gradual neste sentido: os poemas finais _ e sobretudo os quatro ou cinco que precedem os dois últimos _ são de uma perfeita unidade idéia-emotiva. Eu perdoaria ao poeta que ele houvesse assim permanecido ainda escravo de certos apetrechos sentimentais da mentalidade cristista, se ele nunca, até ao fim da obra, se conseguisse libertar deles. Mas se, a dada altura da sua evolução poética, ele o fez, culpo-o, e severamente o culpo (como severamente, em pessoa, o culpei) de são voltar aos seus poemas anteriores, ajustando-os à sua disciplina adquirida, e, se alguns a essa disciplina se não sujeitassem, riscando-os inteiramente. Mas a coragem de sacrificar o que se fez é a que mais escasseia ao poeta. Tão mais difícil é refazer que fazer a primeira vez. Verdadeiramente, ao invés do que diz o prolóquio gálico, é o último passo o que mais custa.

Assim eu acho o ...º poema, tão irritantemente enternecedor para um cristão, absolutamente deplorável para um poeta objetivo, para um reconstrutor da essência do paganismo. Nesse poema desce-se às ultimas baixezas do subjetivismo cristista, indo até aquela mistura do objetivo com o subjetivo que é o distintivo doentio dos mais doentios dos modernos (desde certos pontos da obra intolerável do infeliz chamado Victor Hugo até à quase totalidade da magma amorfa que faz as vezes de poesia entre os nossos contemporâneos místicos).

Exagero, porventura, e abuso. Tendo aproveitado a ressurreição do paganismo que Caeiro conseguiu, e tendo como todos os aproveitadores conseguido a fácil arte secundaria de aperfeiçoar, é talvez ingrato que me revolve contra os defeitos inerentes à inovação com que aproveitei. Mas, se os acho defeitos, tenho, embora os desculpe, que os apelidar de tais. Magis amica veritas.



Apontamento solto de Ricardo Reis; retirado do livro Obra poética: fernando pessoa, 5º edição, 1974.

Destroços.

Como de costume, essas palavras estão sendo escritas em um caderno velho, o mesmo caderno que minha tia usava no ginásio, folhas amareladas, mas que fazem o grafite deslizar muito bem.

Gostaria de registrar que hoje, estaria muito satisfeito em ser um bicho, algo como um cavalo, cachorro ou um gato. Um bicho que age sem covardia nem maldade, que fica feliz quando encontra um afeto e que nao subjulga o próximo por capricho.
Sem credo nem ganâcia e nem cobiça.


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acabei de ler em um livro aqui na minha estante:

"A imaginação, com o vôo ousado, aspira a princípio à eternidade... Depois um pequeno espaço basta em breve para os destroços de nossas esperanças iludidas!..."
_____________________________________________________Goethe


(são 3:50 da manha e eu nao consigo dormir, angustiado e envolto em meus pensamentos)

que fique registrado...

A geografia da imaginação.


"Prouvera a Deus que o nosso horizonte pudesse alargar-se todos os dias! As pessoas que se cingem a sistemas são as incapazes de abarcar a verdade inteira e tentam agarrá-la pela cauda; um sistema é como a cauda da verdade, mas a verdade é como um lagarto; deixa-nos a cauda nos dedos e foge, sabendo perfeitamente que lhe crescerá uma nova num abrir e feichar de olhos."

Ivan Turgueniev a Leão Tolstoi

Acordo de Noite


Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...


(4:37Am) Alberto Caeiro

Tenho andado pensando em não pensar, querendo esquecer uma coisa que parece não ser possivel.Tenho na verdade tentado esquecer um lindo dia de Sol, brilhante e rico em cores e sensações. Um dia completo, com manha, tarde e noite, que ficou no passado prematuramente.

please!

The Smiths
Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad

So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time

Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad

So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time


"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito"
William Shakespeare

Teatro Grego: Mito de criação, Pelasgo

É impressionante como as religiões são parecidas em suas fabulas mirabolantes, todas elas usam dos sentimentos humanos para cobrir falhas ou explorar os medos presentes nos religiosos. Exemplo disso é a versão do Pelasgo sobre a criação do mundo, onde podemos perceber muito de como era o mundo em uma época onde era dada mais importância para a mulher do para o homem, talvez devido a clara inteligencia superior do sexo feminino, que os homens brutos obviamente tentam superar com musculos.

-Pelasgo:
" No início, Eurínome, a deusa de Todas as coisas, ergueu-se nua do Caos, mas, não encontrando nenhum lugar firme onde pudesse descansar os pés, separou o mar do céu, dançando sozinha sobre as ondes. Dançou em direção ao sul, a atrás dela correu um vento novo e incomum, que lhe pareceu apropriado para o início de um trabalho de criação. Girando ela se apoderou desse vento norte, esfregando-o entre as mãos e vejam só: a grande serpente Ofíon! Eurínome dançava para se esquentar, cada vez mais frenética, até que Ofíon, excitada, enrolou-se naqueles membros divinos com a intenção de copular com ela. A partir de então o Vento Norte, também chamado Bóreas, fertiliza. Por isso as éguas frequentemente voltam as ancas para o vento e ficam prenhes sem a ajuda do garanhão. Da mesma maneira, Eurínome engravidou.
Em seguida, ela assumiu a forma de uma pomba e pôs o Ovo Universal, chocando-o por cima das ondas durante algum tempo. Ao seu comando, Ofíon enrolou-se sete vezes em torno desse ovo, completando a incubação, até ele se partir em dois. Para fora arremessaram-se todas as coisas que existem, seus filhos: o Sol, a Lua, os planetas, as estrelas, e Terra com suas montanhas e rio, suas árvores e plantas e todas as criaturas vivas.
Eurínome e Ofíon fizeram do topo do monte Olimpo seu lar, onde a serpente enfureceu a deusa ao reinvidicar para si a autoria do Universo. Imediatamente, Eurínome esmagou-lhe a cabeça com o calcanhar, arrancou seus dentes e baniu-a para as cavernas escuras sob a Terra.
Em seguida , a deusa criou sete poderes planetários, designando uma titãnide e um titã para cada um dele: Téia e Hipérion para o Sol; Febe e Atlas para a Lua; Dione e Créos para o planeta Marte; Métis e Ceo para o planeta Mercúrio; Têmis e Eurimedonte para o planeta Júpiter; Tétis e Oceano para Vênus; Réia e Cronos para o planeta Saturno. Mas o primeiro homem foi Pelasgo, ancestral dos pelasgos. Ele emergiu do solo da Arcádia , seguido por alguns outros, a quem ensinou a construir cabanas, alimentar-se de frutos do carvalho e coser túnicas de couro de porco, como os usadas ainda hoje pelos mais pobres na Eubéia e na Fócida.

Nesse sistema religioso arcaico não havia, até agora, deuses nem sacerdotes, mas apenas uma deusa universal e suas sacerdotisas, a mulher sendo o sexo dominante e o homem, sua vítima assustada. A paternidade não era honrada, e a concepção era atribuída ao vento, à ingestão de feijão ou, acidentalmente, de um inseto. A herança era matrilinear, e as cobras eram consideradas encarnações dos mortos. A deusa, como a Lua visível, tinha o título de Eurínome ("vasta perambulação"). Seu nome sumério era Iahu ("pomba exaltada"), título trasnferido mais tarde a Jeová, como o Criador. Foi uma pomba o animal que Marduk simbolicamente cortou em dois pedaços no festival da Primavera Babilônica, ao inalgurar a nova ordem mundial.


Os titãs ("senhores") e as titãnides tiveram suas contrapartes nas astrologias primitivas da Babilônia e da pasletina, onde constituíram divindades que governavam os sete dias da semana sagrada planetária. Eram 14 e formavam uma companhia mista de sete emparelhados aos casais visando salva-guardar os interesses da deusa. Os poderes planetários eram os seguintes: o Sol para a iluminação; a Lua para encantamento; Marte para o crescimento; Mercúrio para sabedoria; Júpiter para justiça; Vênus para amor; Saturno para paz."


*partes do livro - O Grande livro dos Mitos Gregos.

Teatro grego - Antropomorfizações

Como me disseram uma vez, antes de escrever sobre as "grandes personalidades" gregas, eu devo explicar como funcionava a parte religiosa da Grécia Antiga. Lugar onde e morada dos seres divinos. Lugar que amendrontava os tementes aos deuses e era visivel a todos ostentando a magnitude do MONTE OLIMPO.

O homem senti necessidade de esconder sua responsabilidade para com o mundo, atras dos deuses, obviamente a grande cultura grega nao era diferente. Os senhores do Olimpo ditavam tudo que acontecia, desde o periodo de boa colheita, até as supostas maldições conjuradas sobre pessoas ou casas. O fascinate é como os sentimentos humanos se personificam em seres superiores, isso é chamado antropomorfismo, no mundo grego as divindades se proliferavam, normalmente eram associadas a uma área especial de atividade. Por exemplo, Afrodite era associada ao prazer sexual; Atenas ao uso de habilidades técnicas; Hermes ao movimento além das fronteiras... Muitas vezes, essas associações eram mais pormemorizadas por epítetos: assim, Hermes podia ser, entre muitas possibilidades, Hermes, "das fechaduras das portas", ou Hermes, mensageiro das almas mortas"

Os mortais expressavam respeito por esses entidades supra-humanas por meio de ritos em festivais. Os atos sagrados, mais do que convicções piedosas, eram a raiz da religião grega. Os festivais determinavam o ritmo da vida. Os calendários variavam de cidade para cidade e até rituais de morte e casamento tinham honrarias aos deuses.

Claro, tudo tem um começo até mesmo os deuses nascem e morrem, mas é claro que a origem de uma filosofia religiosa complexa como a grega nao poderia ser simples, existem 3 mitos de criação: "Pelasgo", "Homérico e Órfico" e o mais famoso, "O Olímpico"